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Contos e Mitos

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“Quando apresentamos um mito ou contamos uma história de fadas, existe para a pessoa que participa, isto é, para quem se emociona com ela, um efeito curativo, pois devido a sua participação, ela é enquadrada numa forma arquetípica de comportamento e, desse modo, pode chegar pessoalmente “`a ordem” (Emma Jung)

 

O Eterno Imaginário, óleo sobre tela de John Anster

A magia dos contos  e mitos é o encontro do consciente com o inconsciente, e é através deste dar as mãos que nasce o símbolo.

“Onde está a sonata antes de ser tocada no piano.” (Rubens Alves). A sonata já existe, mas está em outra dimensão. Ela nasce para o artista como inspiração. A sonata está no inconsciente coletivo e o artista tem o acesso a ela através de suas vivências e experiências.

“Jung nos ensinou que, do ponto de vista simbólico, os personagens dos mitos e contos de fadas podem ser vistos como representantes de forças que atuam em nossa psique coletiva, e portanto fazem parte da constituição de nossa natureza humana e da natureza planetária (de acordo com o ponto de vista da psicologia simbólica, psique e mundo são aspectos diferentes de uma mesma realidade multifacetada, que se manifesta através de infinitas faces). Por isso, o conhecimento do mundo e da natureza à nossa volta tem como contraponto e complemento indissociável o auto-conhecimento. E, sendo forças, essas forças não são “boas” nem “más”: tudo depende do direcionamento que damos a elas, de como as atualizamos e contextualizamos, de como nos relacionamos com elas”. (Bernardo, 2004:132-3)

” Só é olhado pelo céu quem olha para as estrelas” (Mia Couto)

Visualização Criativa, Contos e Mitos

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O trabalho com Visualização Criativa, Contos e Mitos tem o objetivo de fazer os conteúdos inconscientes virem para a consciência e desta forma serem acolhidos, trabalhados e resignificados.

O inconsciente é criativo por natureza. Jung diz que o inconsciente não é somente um depósito das coisas que não acessamos, toda nossa criatividade vem dele. Os símbolos surgem nos aspectos conscientes e inconscientes. Através do consciente atraímos conteúdos do inconsciente que necessitam ser elaborados e transformados. Todo conteúdo que não trabalharmos no consciente vai para o inconsciente por não estarem prontos para serem elaborados.

O inconsciente coletivo é a camada mais profunda de nossa alma. É coletivo porque não pertence ao indivíduo, mas à humanidade. Tem como base os arquétipos e só pode tornar-se consciente quando o inconsciente pessoal tomá-lo através das experiências. Todas as idéias e representações mais poderosas da humanidade remontam aos arquétipos. Os arquétipos são tendências psíquicas universalmente herdadas, via evolução da espécie para representar imagens semelhantes. O acesso se faz através da observação dos sonhos, nos mitos, nos contos de fadas, nas religiões, nas artes dramáticas, plásticas e esculturas, peças publicitárias e relacionamentos humanos.

A criação de história a partir de sonhos, de imaginação ativa, imaginação dirigida ou de desenhos livres é uma técnica expressiva valiosa.

“A regra psicológica diz que quando uma situação interna não é conscientizada, ela acontece fora, como destino”. Carl Gustav Jung

COMO LIDAR COM NOSSOS PRÓPRIOS SONHOS?

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“… Em geral, não se deve interpretar os próprios sonhos…
Os sonhos costumam tocar nosso ponto cego.
Eles nunca nos dizem o que já sabemos, mas sim o que não sabemos.

Quando interpretam seus próprios sonhos, as pessoas tendem a dizer:
“Sim, eu sei o que isto quer dizer.” Então projetam no sonho aquilo que já sabem.
Interpretar os próprios sonhos é muito diícil.
Por isso Jung recomendava aos analistas junguianos que procurassem colegas
para discutir sonhos.

A dificuldade em interpretar nossos próprios sonhos é que não podemos ver nossas próprias costas…
Se o mostrarmos para outra pessoa, ela poderá vê-las; nós não.
Os sonhos tocam as costas, aquilo que não se pode ver…

Pergunta: “Mas se é tão benéfico ver as próprias costas, porque a humanidade sempre teve “medo” do mundo dos sonhos?”

Resposta: Há boas razões para isso. O inconsciente pode devorar o ser humano.
O mundo dos sonhos é o que há de mais benéfico sobre a face da Terra
e observar os próprios sonhos é a coisa mais salutar que se pode fazer.
Enretanto, o mundo onírico pode também “devorar” uma pessoa que fique sonhando acordada,
tecendo fantasias neuróticas ou perseguindo idéias irreais o tempo todo…

O mundo onírico só é benéfico e terapêutico se estabelecermos um diálogo com ele,
sem, no entanto, abandonar a vida terrena, “real”. 
Não se pode esquecer de viver. A vida terrena não deve ser posta de lado.
No momento em que se começa a esquecer a vida terrena – o próprio corpo, a alimentação, o trabalho diário – o mundo dos sonhos pode tornar-se perigoso.
O mundo onírico só é positivo quando em diálogo vivo e equilibrado com uma vida realmente vivida.”

(Fonte: O Caminho dos Sonhos, Marie-Louise von Franz em Conversa com Fraser  Boa – Cultrix, 1993)

Tenho por hábito manter um registro de meus sonhos. Dou um número, um título e a data.
Tenho dificuldade em lembrar de meus sonhos ao acordar mas, devo dizer que
os sonhos realmente “importantes”, aqueles que mudaram minha vida,
sempre causaram um forte impacto ao acordar…
Me acompanham até hoje…
Não fazia nenhuma tentativa de interpretar…
Como um fio de Ariadne, permiti que eles me guiassem no Labirinto…
MAS, percebo hoje que só descobri que estava no Labirinto
depois que os sonhos me guiaram para fora dele…
Retrospectivamente…

Rosanna Pavesi

O ponto de vista de cada um

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Quantas vezes você se viu numa discussão em que a outra pessoa não o compreendia? Ela contra-argumentava e você tinha dificuldade de entender? Quem será que estava com a razão?

Provavelmente os dois! Apenas estavam olhando a questão por perspectivas distintas, talvez por possuírem perfis psicológicos diferentes. Essas diferenças foram identificadas por Carl G.Jung(1875 – 1961), psiquiatra suíço, no livro “Tipos Psicológicos”, onde define que as pessoas podem ter formas muito distintas de perceber e julgar o que ocorre ao seu redor.

A compreensão do perfil psicológico pode ser muito rica, pois podemos tirar proveito das suas particularidades, potencializar o que tem de melhor, e valorizar as diferenças!

Esse entendimento também pode nos ajudar a direcionar a carreira, entender o que nos motiva e, inclusive, melhorar nossos relacionamentos.

Isso é música para seus ouvidos? Então vamos aos conceitos dos “tipos psicológicos” para que você entenda melhor os benefícios desse conhecimento.

Primeiramente, Jung identificou uma diferença relativa a direção da energia da pessoa. Se a energia está dirigida às coisas ao redor, às outras pessoas, ao que ocorre no mundo exterior, esta pessoa é caracterizada como “extrovertida” e representada pela letra “E”. Se, por outro lado, a energia está voltada para as próprias ideias, reflexões sobre o que ocorre no mundo interior essa pessoa é “introvertida” (I).

Dentro de cada grupo de extrovertidos e de introvertidos, Jung percebeu que existiam diferenças de posicionamento e atitudes entre as pessoas. Jung  identificou quatro “funções psíquicas” que diferenciavam esses indivíduos e as agrupou em dois pares de opostos:

Como PERCEBEMOS o mundo:

◦      Sensação (S)

◦      Intuição (N)

Como JULGAMOS o mundo:

◦      Pensamento (T)

◦      Sentimento (F)

As pessoas do tipo “Sensação” são pessoas mais detalhistas, que utilizam os cinco sentidos para coletar e analisar o que está ao seu redor, gostam de dados e fatos, são focadas no aqui e agora, são realizadoras. Por outro lado, as pessoas do tipo “Intuição” são pessoas que usam o seu sexto sentido, olham o todo, enxergam possibilidades, têm o foco no futuro, tendem a ser visionárias.

As pessoas do tipo “Pensamento” são as que julgam o mundo com objetividade, racionalidade, pragmatismo, em geral são excelentes administradores. Por fim, as pessoas do tipo “Sentimento” julgam a realidade através da subjetividade, algo é bom ou ruim segundo suas crenças e valores, seu foco é nas relações e na harmonia do ambiente, são atraídas por profissões focadas nas pessoas.

O tipo psicológico é composto pelas quatro funções, entretanto, com pesos distintos de acordo com a frequência de atuação, identificadas como função principal, auxiliar, terciária e inferior.

A determinação do tipo psicológico é feita pela composição das duas funções mais desenvolvidas, ou seja, a principal e a auxiliar. Se a função principal é uma função de “percepção” (S ou N), a função auxiliar será de julgamento (T ou F).

As funções terciária e inferior são funções pouco desenvolvidas. A terciária é o oposto da função auxiliar e a inferior é oposta à função principal. Por exemplo, se a função principal é pensamento, a função inferior será sentimento.

Segundo Jung, a função inferior representa a “sombra”, o lado não desenvolvido.  Embora seja a função menos familiar, merece destaque porque atua quando estamos estressados ou cansados. Nesses momentos podemos agir de modo irreconhecível e causar estragos. Justamente por isso, é importante trabalhar essa função.

A combinação do foco de energia (E ou I) com as quatro funções determinam os 16 tipos psicológicos. Cada um desses perfis possui potencialidades e fortalezas, mas também, pontos a serem desenvolvidos.

Para que se entenda a dinâmica dos tipos, imagine que um destro precise escrever o próprio nome. Com a mão direita, a tarefa será executada facilmente. Mas se for solicitado que ele faça o mesmo com a mão esquerda, terá que pensar como segurar a caneta, como se posicionar. Enfim, vai gastar mais tempo e a caligrafia não será a mesma. Assim é o nosso tipo psicológico. As funções dominantes (principal e auxiliar) representam a nossa preferência, a mão direita dos destros, e as funções terciária e inferior representam a “mão esquerda”.

Por isso o  autoconhecimento é tão importante. Ele torna possível explorar tudo que as funções dominantes oferecem e ampliar o monitoramento das demais funções para que as fraquezas sejam minimizadas.

A compreensão do tipo psicológico é muito útil na escolha, desenvolvimento ou mudança de carreira. Graças a ela, podemos optar por caminhos mais confortáveis, mais afins ao nosso tipo psicológico e, com isso, desempenharemos nossas tarefas com maior satisfação, prazer e desenvoltura.

Por exemplo, uma pessoa tipo Sensacão-Pensamento é um realizador, tem um senso prático forte. Ela pode ser um empreendedor de sucesso, um alto executivo orientado a resultados. Mas, se estiver trabalhando com algo abstrato, conceitual, cujos resultados não sejam mensuráveis, isso exigirá dela um esforço hercúleo.

Enfim, se agirmos com sabedoria seguiremos os ensinamentos de Confúcio: “trabalhe com aquilo que gosta e não terá que trabalhar um dia sequer”.

Fonte: Lucia Navarro

A Sombra

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Para Jung, a Sombra é o centro do Inconsciente Pessoal, o núcleo do material que foi reprimido da consciência. A Sombra inclui aquelas tendências, desejos, memórias e experiências que são rejeitadas pelo indivíduo como incompatíveis com a Persona e contrárias aos padrões e ideais sociais. Quanto mais forte for nossa Persona, e quanto mais nos identificarmos com ela, mais repudiaremos outras partes de nós mesmos. A Sombra representa aquilo que consideramos inferior em nossa personalidade e também aquilo que negligenciamos e nunca desenvolvemos em nós mesmos. Em sonhos, a Sombra freqüentemente aparece como um animal, um anão, um vagabundo ou qualquer outra figura de categoria mais baixa.

Em seu trabalho sobre repressão e neurose, Freud concentrou-se, de inicio, naquilo que Jung chama de Sombra. Jung descobriu que o material reprimido se organiza e se estrutura ao redor da Sombra, que se torna, em certo sentido, um Self negativo, a Sombra do Ego. A Sombra é, via de regra, vivida em sonhos como uma figura escura, primitiva, hostil ou repelente, porque seus conteúdos foram violentamente retirados da consciência e aparecem como antagônicos à perspectiva consciente. Se o material da Sombra for trazido à consciência, ele perde muito de sua natureza de medo, de desconhecido e de escuridão.

A Sombra é mais perigosa quando não é reconhecida pelo seu portador. Neste caso, o indivíduo tende a projetar suas qualidades indesejáveis em outros ou a deixar-se dominar pela Sombra sem o perceber. Quanto mais o material da Sombra tornar-se consciente, menos ele pode dominar. Entretanto, a Sombra é uma parte integral de nossa natureza e nunca pode ser simplesmente eliminada. Uma pessoa sem Sombra não é uma pessoa completa, mas uma caricatura bidimensional que rejeita a mescla do bom e do mal e a ambivalência presentes em todos nós.

Cada porção reprimida da Sombra representa uma parte de nós mesmos. Nós nos limitamos na mesma proporção que mantemos este material inconsciente.

À medida que a Sombra se faz mais consciente, recuperamos partes previamente reprimidas de nós mesmos. Além disso, a Sombra não é apenas uma força negativa na psique. Ela é um depósito de considerável energia instintiva, espontaneidade e vitalidade, e é a fonte principal de nossa criatividade. Assim como todos os Arquétipos, a Sombra se origina no Inconsciente Coletivo e pode permitir acesso individual a grande parte do valioso material inconsciente que é rejeitado pelo Ego e pela Persona.
No momento em que acharmos que a compreendemos, a Sombra aparecerá de outra forma. Lidar com a Sombra é um processo que dura a vida toda, consiste em olhar para dentro e refletir honestamente sobre aquilo que vemos lá.

http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO%2FLerNoticia&idNoticia=192

 

Astrologia na Visão Junguiana

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O fato da Astrologia fornecer fórmulas arquetípicas dá a ela um lugar eminente como instrumento psicológico ideal de compreensão da singularidade e da individualidade humana pois ela, por ser antropocêntrica, mostra a visão que o indivíduo tem do universo, ou seja, o indivíduo é o centro do seu mundo pessoal.

“A Astrologia merece o reconhecimento da Psicologia, sem restrições, porque a Astrologia representa a soma de todo o conhecimento psicológico da Antigüidade”(C. G. Jung. Comentário no The Secret of the Golden Flower, apoud Arroyo, 1993 p.8 )

Dr. Jung mostrou que os principais agentes motivadores da vida, presentes na psique individual, e os padrões psicológicos globais, são manifestações de fatores arquetípicos na psique humana. Esses arquétipos são essenciais na camada psicológica da vida. Ele chamou esse substrato psíquico de Inconsciente Coletivo e descreve os arquétipos como princípios universais que são a base e a motivação de toda a vida psicológica, individual e coletiva. Na Astrologia, esses princípios universais constituem o seu principal campo de estudo; na concepção astrológica, cada indivíduo é um ser universal único, uma expressão completa e sem igual dos princípios, padrões e energias universais. A Astrologia é uma linguagem de princípios universais, uma maneira de perceber a forma e a ordem na vida de um ser humano, uma maneira de simbolizar a unidade de cada indivíduo com os fatores universais. A Astrologia praticada atualmente, junto com a Psicologia moderna e com sua separação definitiva de práticas adivinhatórias auxiliam o indivíduo a realizar a totalidade de seu ser e representar o papel total de seu destino.

Uma definição semelhante na Astrologia se dá através do conceito de Ascendente. Ascendente é como a pessoa se manifesta, a personalidade ou máscara que ela apresenta; sua individualidade é representada pelo signo solar. Ela é o seu Sol mas reage com o Ascendente. Se colocarmos doze pessoas do mesmo signo solar frente a uma situação, mas que tenham Ascendentes diferentes, veremos doze reações diversas, doze pontos de vista diversos. O Ascendente é a máscara que o ator usa quando representa um papel; é a máscara, não é ele. O Ascendente é o que os outros vêm em nós.

CELSO RIBEIRO, astrólogo, SINARJ 295, acadêmico de psicologia, bacharel em ciências náuticas utilza também técnicas como o tarô, radiestesia, numerologia e sinastria.
Extraído de seu texto da Monografia de Conclusão de Curso (UNESA)

DUAS HISTÓRIAS FANTÁSTICAS

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                       HISTÓRIA NÚMERO UM 
 

Al Capone e Easy Eddie

Há muitos anos atrás, Al Capone controlava virtualmente Chicago.  
Capone não era famoso por nenhum ato heróico. Ele era notório por empastar a cidade com tudo relativo a contrabando, bebida, prostituição e assassinatos.  
Capone tinha um advogado apelidado ‘Easy Eddie’. Era o seu advogado por um excelente motivo. Eddie era muito bom! Sua habilidade, manobrando no cipoal legal, manteve Al Capone fora da prisão por muito tempo.  
Para mostrar seu apreço, Capone lhe pagava muito bem. Não só o dinheiro era grande, como Eddie também tinha vantagens especiais. Por exemplo, ele e a família moravam em uma mansão protegida, com todas as conveniências possíveis.  
A propriedade era tão grande que ocupava um quarteirão inteiro em Chicago. Eddie vivia a vida da alta roda de Chicago, mostrando pouca preocupação com as atrocidades que ocorriam à sua volta. No entanto, Easy Eddie tinha um ponto fraco.Ele tinha um filho que amava afetuosamente. Eddie cuidava que seu jovem filho tivesse o melhor de tudo: roupas, carros e uma excelente educação. Nada era poupado. Preço não era objeção. E, apesar do seu envolvimento com o crime organizado, Eddie tentou lhe ensinar o que era certo e o que era errado. Eddie queria que seu filho se tornasse um homem melhor que ele. Mesmo assim, com toda a sua riqueza e influência, havia duas coisas que ele não podia dar ao filho: ele não podia transmitir-lhe um nome bom ou um bom exemplo.  
Um dia, o Easy Eddie chegou a uma decisão difícil. Easy Eddie tentou corrigir as injustiças de que tinha participado. Ele decidiu que iria às autoridades e contaria a verdade sobre Al ‘Scarface’ Capone, limpando o seu nome manchado e oferecendo ao filho alguma semelhança de integridade. Para fazer isto, ele teria que testemunhar contra a quadrilha, e sabia que o preço seria muito alto. Ainda assim, ele testemunhou.  
Em um ano, a vida de Easy Eddie terminou em um tiroteio em uma rua de Chicago. Mas aos olhos dele, ele tinha dado ao filho o maior presente que poderia oferecer, ao maior preço que poderia pagar. A polícia recolheu em seus bolsos um rosário, um crucifixo, uma medalha religiosa e um poema, recortado de uma revista.  
O poema: “O relógio da vida recebe corda apenas uma vez e nenhum homem tem o poder de decidir quando os ponteiros pararão, se mais cedo ou mais tarde”.  
 
                    HISTÓRIA NÚMERO DOIS  
 

Butch O’HareA Segunda Guerra Mundial produziu muitos heróis. Um deles foi o Comandante Butch O’Hare. Ele era um piloto de caça, operando no porta-aviões Lexington, no Pacífico Sul. Um dia, o seu esquadrão foi enviado em uma missão. Quando já estavam voando, ele notou pelo medidor de combustível que alguém tinha esquecido de encher os tanques. Ele não teria combustível suficiente para completar a missão e retornar ao navio. O líder do vôo o instruiu a voltar ao porta-aviões. Relutantemente, ele saiu da formação e iniciou a volta à frota. Quando estava voltando ao navio-mãe viu algo que fez seu sangue gelar: um esquadrão de aviões japoneses voava na direção da frota americana. Com os caças americanos afastados da frota, ela ficaria indefesa ao ataque. Ele não podia alcançar seu esquadrão nem avisar a frota da aproximação do perigo. Havia apenas uma coisa a fazer. Ele teria que desviá-los da frota de alguma maneira. Afastando todos os pensamentos sobre a sua segurança pessoal, ele mergulhou sobre a formação de aviões japoneses. Seus canhões de calibre 50, montados nas asas, disparavam enquanto ele atacava um surpreso avião inimigo e em seguida outro. Butch costurou dentro e fora da formação, agora rompida e incendiou tantos aviões quanto possível, até que sua munição finalmente acabou. Ainda assim, ele continuou a agressão. Mergulhava na direção dos aviões, tentando destruir e danificar tantos aviões inimigos quanto possível, tornando-os impróprios para voar. Finalmente, o exasperado esquadrão japonês partiu em outra direção. Profundamente aliviado, Butch O’Hare e o seu avião danificado se dirigiram para o porta-aviões. Logo à sua chegada ele informou seus superiores sobre o acontecido. O filme da máquina fotográfica montada no avião contou a história com detalhes. Mostrou a extensão da ousadia de Butch em atacar o esquadrão japonês para proteger a frota. Na realidade, ele tinha destruído cinco aeronaves inimigas. Isto ocorreu no dia 20 de fevereiro de 1942, e por aquela ação Butch se tornou o primeiro Ás da Marinha na 2ª Guerra Mundial, e o primeiro Aviador Naval a receber a Medalha Congressional de Honra.  
No ano seguinte Butch morreu em combate aéreo com 29 anos de idade. Sua cidade natal não permitiria que a memória deste herói da 2ª Guerra desaparecesse, e hoje, o Aeroporto O’Hare, o principal de Chicago, tem esse nome em tributo à coragem deste grande homem.Assim, se porventura você passar no O’Hare International, pense nele e vá ao Museu comemorativo sobre Butch, visitando sua estátua e a Medalha de Honra. Fica situado entre os Terminais 1 e 2.  
 
O que têm estas duas histórias de comum entre elas?  
 
Butch O’Hare era o filho de Easy Eddie.
 
Crédito (fonte): http://www.facebook.com/simonemagaldi

 

Carta

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À senhora R.

Suíça

15.12.1933

Prezada senhora R.,

Suas perguntas são irrespondíveis, pois a senhora quer saber como se deve viver. A gente vive como pode. Não existe um único caminho determinado para o indivíduo, que lhe fosse prescrito ou adequado. Se quiser, dirija-se à Igreja católica onde lhe dirão isto e aquilo. Mas este caminho corresponde ao que é seguido pela humanidade em geral. Se, no entanto, quiser trilhar seu caminho próprio, então será o caminho que a senhora há de fazer, que não é prescrito para ninguém, que não se conhece de antemão mas que surge simplesmente por si mesmo quando se dá um passo depois do outro. Se fizer sempre aquilo que se apresenta como o passo seguinte, então andará da forma mais certa e segura ao longo das linhas prescritas pelo seu inconsciente. Aí não adianta nada especular sobre o que se deve viver. Sabe-se então também que isto não se pode saber. O importante é fazer silenciosamente a coisa mais próxima e mais necessária. Enquanto se acha que ainda não sabe o que é isto, é sinal que ainda temos muito dinheiro para gastar em especulações inúteis. Mas quando se faz com convicção o mais próximo e o mais necessário, então se faz sempre o que tem sentido de acordo com a psiqué.

Com os melhores votos e saudações cordiais

(C.G.Jung)

in C. G. Jung – Cartas – 1906-1945

Volume I – pg.148

Por que Machado de Assis era Psicólogo sem saber

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“No processo terapêutico, temos que conhecer a persona para ajudar a pessoa a encontrar seu eu verdadeiro”

Persona é uma palavra que origina do latim, nome de uma máscara usada pelos atores na antiguidade.

Jung usou este termo para mostrar a maneira como uma pessoa adapta-se ao mundo; é sua máscara, sua maneira de ser socialmente. Essa máscara é necessária para nos adaptarmos à vida e sobrevivermos em sociedade.

A criança já na infância, tenta se comportar para receber aprovação de suas atitudes. Enquanto cresce, pais e professores na escola vão transmitindo seus valores. Assim aos poucos se desenvolve essa “persona”, que estará presente na profissão e nos papéis da vida. Mas com isso podemos nos esquecer de nosso “ego”, nosso verdadeiro eu. Quando alguém se identifica somente com a persona e esquece-se do ego, tende a ficar frio e vazio.

O espelho

 No conto “O espelho”, Machado de Assis, descreve um personagem identificado com a ‘persona’. Trata-se de um alferes (antigo posto militar) que orgulhava-se de sua farda. Quando saia de férias, ia para a fazenda e trocava a farda por um pijama. Aos poucos notava que sua imagem no espelho estava desaparecendo, e acabava sumindo. Ele ficou desesperado e vestiu a farda novamente, e ao se olhar no espelho, lá estava sua imagem novamente.

“- Lembrou-me vestir a farda de alferes. Vesti-a, aprontei-me de todo; e, como estava defronte do espelho, levantei os olhos, e…não lhes digo nada; o vidro reproduziu então a figura integral; nenhuma linha de menos, nenhum contorno diverso; era eu mesmo, o alferes, que achava, enfim, a alma exterior.”

“Olhava para o espelho, ia de um lado para outro, recuava, gesticulava, sorria e o vidro exprimia tudo. Não era mais um autômato, era um ente animado. Daí em diante, fui outro. Cada dia, a uma certa hora, vestia-me de alferes, e sentava-me diante do espelho, lendo, olhando, meditando…” Isso acontece quando se confunde a individualidade com um papel social. A pessoa se identifica somente com a persona e esquece-se de seu verdadeiro eu. Ao incorporar essa máscara a pessoa se sente forte e poderosa, mas não se humaniza, é rígida.

Enfim, essa máscara é apenas um papel que pode ser o de professor, médico, filho, artista… Por isso Machado de Assis – nosso escritor maior – era psicólogo sem saber.

 No processo terapêutico, temos que conhecer a persona para ajudar a pessoa a encontrar seu eu verdadeiro.

Mas não ter “persona” é tão negativo quanto tê-la em excesso. Ela é necessária para nos relacionarmos com uma certa civilidade. Ninguém fala tudo o que sente, há um limite, um respeito com o próximo, mas que não nos faça esquecer quem somos verdadeiramente.

O Espelho – Obra Completa, de Machado de Assis, vol. II,

por Leniza Castello Branco

O tarô de Marselha por Alejandro Jodorowsky – com legenda

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O Tarô é um grande caminho de autoconhecimento. Ele nos possibilita entendermos mais e melhor a vida humana, as facetas da personalidade e a nossa força interior.

A Psicologia Junguiana

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Vou compartilhar um vídeo sobre alguns pensamentos e citações do criador da Psicologia Analítica, Carl Gustav Jung